terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cachorro Grande no Teatro do Sesc


No último dia 21 de Novembro, quase um ano após a última passagem por Santos, a Cachorro Grande volta a Santos com a tour do seu mais recente disco, Cinema, e se apresentaram no Teatro do Sesc. Sim, mas poucos se limitaram às cadeiras e correram para frente do palco logo no começo do show. Após um instrumental que aparece no inicio do Cinema, a banda começou tocando a conhecida Você Não Sabe O Que Perdeu seguida do seu último single Dance Agora.


O set-list do show mesclava músicas mais antigas da banda com as mais recentes. Para os fãs mais antigos da banda teve Hey, Amigo seguida de Que Loucura, Desentoa, Dexa Fude cantada pelo baixista Rodolfo Krieger, E algumas das novas que foram apresentadas A Hora do BrasilA Alegria voltou, com os vocais do baterista Gabriel Azambuja.

O quinteto gaúcho estava bem à vontade no palco, felizes por estar num palco grande, mas também por ter bastante público e por diversas vezes interagindo com eles, como agradecimento a banda deixou algumas vezes alguém na platéia encerrar a música, como em Lili.

O vocalista Beto Bruno agradeceu várias vezes a cidade, e homenageou trocando um trecho de Um Bom Brasileiro e colocando o nome da cidade no meio da letra (Conhecia Santos Inteira). Ainda teve Dia Perfeito com Marcelo Gross nos vocais.

Em quase todas as músicas, nos finais das músicas acontecia um improviso que a estendia um pouco mais, porém em Vai T.Q. Dá, esse improviso deve ter passado dos cinco minutos, com solo de guitarra e distorção, solos de bateria, teclado psicodélicos, mostrando que todos na banda sabem muito bem usar seus instrumentos.

Logo após o momento jam session, a banda tocou a balada Sinceramente, onde o Beto Bruno poderia deixar o microfone de lado que a platéia cantava por ele. Para encerrar, tocaram as clássicas Lunático e Sexperienced, com a banda e o público agitados e interagindo bastante.

E graças ao público que ficou pedindo mais uma música, o bis que ainda era indefinido, foi com o Hino Mod My Generation do The Who, encerrando a noite da melhor forma Rock’n’roll como pediam algumas pessoas que estavam no show, com direito a corda estourada da guitarra.

Para outras fotos do show, clique aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

#44 - EPs

Essa semana ouvi bastantes EPs, mas vou resenhar três deles, talvez como dica do que ouvir nesse feriado prolongado, ou apenas, uma dica para vocês ouvirem nos próximos dias, afinal, música é para ser ouvida a qualquer hora.

Vou começar, talvez pelo mais expressivo: Cokie The Clown, do NOFX. Quem acompanha a banda, sabe que Fat Mike e sua turma tem uma mania de lançar EPs. Por exemplo, em 2005, houve o 7"Of The Month Club, ou seja, todo mês era lançado um vinil de 7 polegadas, com duas músicas.
Cokie The Clown, em sua versão CD, contêm 5 músicas, já nas versões em vinil, acabou virando dois EPs, um deles chamado My Orphan Year. Destaque para a capa que, Fat Mike encarna o Joker foi a coisa mais legal que já vi.
Começando com a música título, que já virou clipe com participação de Matt Skiba (Alkaline Trio) e Tim McIlrath (Rise Against), além de outros figurões, o EP traz músicas que foram feitas durante as gravações do último álbum do NOFX, Coaster. Todas elas seguem aquela linha bem conhecida da banda, então dificilmente não agradará seus fãs.
O destaque do EP, na minha opinião é a acustica My Orphan Year, onde Fat Mike parece contar um relato do ano em que seus pais morreram, agora resta saber se foi verdade, ou mais uma piada do Joker Mike.
Se alguém souber a verdadeira história, por favor, me avise.

Segundo EP que parei para ouvir essa semana foi do MxPx. Left Coast Punk inaugura o selo da banda, Rock City Recording. Segundo lançamento da banda esse ano, porém o primeiro com inéditas, sete no total. A banda traz de volta aquela mesma linha de Punk Rock que vem fazendo nos últimos álbuns.
Talvez apenas os instrumentais podem fazer lembrar um pouquinho de coisas da época de Life In General, é o caso de One Step Further e Broken. Destaque Negativo para a chatissima Shanghaied In Shanghai.
O EP tem duas versões, uma digital e outra física, nesta têm algumas versões só instrumentais de algumas das músicas e a demo de On A String. Para quem já é fã da banda e conhece os últimos trabalhos, vai gostar sem dúvida.
Porém, na minha opinião, poderia ser um material melhor.



Por último, hoje estava fuçando o Trama Virtual e achei um tal de Badke. Que nada mais é que o "projeto solo" do Henrike Badke do Carbona.
As músicas são de 2005, e o EP se chama Uma Vida e Três Acordes. Têm algumas regravações de músicas do Carbona (Joga Os Dados Outra Vez e Nebulosa), mas também têm algumas músicas  "inéditas", sendo elas Minhas Canções e A Melhor Cerveja Da Austrália.
Para fãs de Carbona é um material legal de se escutar, enquanto a banda não lança algo novo. Eu achei bem interessantes as músicas "inéditas", já que que Henrike, assim como Dee Dee Ramone, tem o dom de fazer as letras mais simples ser totalmente ricas.
Enfim, recomendo, vale a pena ir lá no Trama Virtual, ouvir e baixar.

Well, that's all folks! Have A Nice Holiday!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

#43 - Live At Reading


O Nirvana, por si só, já é histórico, para alguns a última banda de rock de verdade que existiu, foi ícone de uma geração, influenciou inúmeras bandas, ajudou a colocar o rock no mainstream novamente. Enfim, a importância da banda para o mundo da música faria qualquer pessoa ficar falando horas e horas sobre o assunto.

Porém, o que poucos sabem, que não são os fãs de carterinhas, como a pessoa que vós fala, que o show no Reading Festival, na Inglaterra, foi um acontecimento muito especial para a banda e para quem estava na platéia. Kurt Cobain acabará de ser pai, e por isso, algo raro de se ver, ele estava radiante, feliz pelo o momento que estava vivendo. Apesar de que meses antes, ele tinha tentado convencer Courtney Love a se matar junto com ele.
Havia boatos apontava o possível fim da banda, e até havia boatos que vocalista estava morto. Quem leu o livro “Mais Pesado que o Céu”, tem uma rápida, porém bem aprofundada descrição do que estava acontecendo, onde horas a fama abria portas, e em outras Cobain era apenas um desconhecido que nem poderia usar um banheiro sem ter que pagar. Porém, Cobain gostava desses momentos onde não era reconhecido.
E eu tenho o bootleg desse show, um tanto picotado, faltando músicas, mas têm as conversas e diálogos que não entraram para o CD. Então resolvi fazer uma resenha do show “oficial” e dos bastidores que não foram mostrados.

Era 30 de Agosto de 1992, o show começa com Cobain, entrando numa cadeira de rodas, com Krist Novaselic falando: “Você vai conseguir cara”. O que, momentaneamente, deve ter feito alguns críticos musicas enfartarem na hora. “Como o ícone de uma geração entra de cadeira de roda em um show?”.
Tolos, o vocalista pega a guitarra e logo começa a tocar Breed e logo depois emenda em Drain You, sem dar tempo para o público respirar. Um destaque desta última música, você pode ouvir ela tanto no disco como no show, e elas serão parecidas, só sentirá falta dos patinhos de borracha ao fundo. Alguém já reparou isso no Nevermind? Outras músicas do mesmo álbum tiveram os instrumentais perfeitos. Lounge Act e On A Plain, que são algumas das mais trabalhadas do trio, estavam perfeitas.
Aneurysm sempre foi um dos pontos fortes em qualquer show do Nirvana, talvez ela seja exatamente a definição da banda, calma, melódica, depois berrada e barulhenta. Com certeza pode se considerar o show do Reading Festival, um registro definitivo.

Quem ouvir não acreditará que a banda estava dois meses sem, nem mesmo, ensaiar juntos. E na seqüência vinha a berrada School, Sliver com direito a uma risada, In Bloom, Come As You Are com a platéia em êxtase, Lithium e até a balada About A Girl. Todas elas estavam em perfeita sincronia, algo raro de se ver em qualquer banda que seja.
Houve espaço até para músicas que ainda iam sair no In Útero, como Tourette’s e All Apologies. Esta inclusive, teve um momento que não têm no disco, onde Cobain dedica a música à recém nascida Francês Bean Cobain e pede para o publico falar: “Courtney, Eu te amo”.
Musicas novas se misturavam com sons mais antigos, porém com a mesma energia e intensidade, Been A Son e Blew com uma cara diferente do que pode se ouvir nos discos, mais agitadas e interessantes de se ouvir, e até mesmo Spank Thru, que era comum no começo da carreira do trio, antes mesmo de Dave Grolh assumir as baquetas.

Na minha opinião, o final da apresentação deve ter marcado a vida de todos que estavam lá. Para começar, tocaram D-7 da banda Wipers (uma das melhores covers que o Nirvana fez, na minha opinião) e encerraram com a barulhenta e talvez a mais punk rock de todos os sons do trio, Territorial Pissings.
Rápida, direta, pesada, intensa e entre vários outros adjetivos, Cobain ainda tocou uma parte do hino dos Estados Unidos até que, como era obrigatório em seus shows, a banda destrói o palco, quebra tudo o que possível. Até que alguém fala um: "Muito Obrigado e Boa noite".

Live At Reading, não é apenas um disco ao vivo do Nirvana, é um marco histórico, um ótimo presente de Natal para aquele seu amigo grunge, isso se ele ainda não comprou o DVD e CD. É um disco que serve, para os poucos que ainda não conheceram Nirvana, e para o fã de carterinha que deve ter ido aos shows no Brasil. Enfim, são 24 (ou 25 músicas, se for o DVD) que ficaram para a história e que a pessoa terá em “mãos”.
É claro, que tudo isso estará enchendo o bolso da tia Love, mas...é Nirvana.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

#42 - Them Crooked Vultures


Quase um mês sem postar. Uma enorme correria na faculdade, e ainda não acabou. E infelizmente, nem tive tempo para fazer a entrevista para o 7 On 27. Mas fiquei feliz que vieram algumas pessoas me cobrar sobre o blogger, sinal que está tendo um retorno, o mínimo que seja.

Esses dias consegui um tempinho, e fiz a resenha do disco do Them Crooked Vultures para um outro site e vou postar aqui também. E vai ser minha opinião sincera sobre o disco dessa super banda que conquistou várias pessoas.

Muitos fãs de rock clássico de Led Zeppelin, do Stoner Rock do Queens Of The Stone Age e admiradores do Dave Grohl estavam ansiosos para ouvir o disco completo do Them Crooked Vultures.
O super grupo vem chamando atenção desde 2005, quando Grohl havia falado em entrevista para a revista Mojo que seu próximo projeto seria com Josh Homme nas guitarras e vocais e John Paul Jones tocando baixo. Ao longo desse ano, a banda foi lançando trechos de músicas na Internet, como single "New Fang", e fazendo shows, no qual vários viraram bootlegs. Até que no dia 9 de Novembro, finalmente, o disco foi “lançado”. De uma forma diferente do comum, ele foi colocado na intriga no Youtube, pela a própria banda.

Auto-titulado, o disco com pouco mais de uma hora traz um atmosfera bem viajante, bem ao estilo Stoner Rock comum de se ouvir em qualquer disco do Queens Of The Stone Age, ou bem ao estilo Led Zeppelin. Vai depender de que nicho de roqueiros o ouvindo faz parte.
Para alguns, o álbum pode ser considerado uma obra divina, a perfeição entre outros adjetivos. Já para outros poderá não ver nada há mais no disco, e achar que é uma coletânea de b-sides de bandas de Homme. Um bom exemplo disso é faixa "Mind Eraser, No Chaser", que lembra algumas musicas do Eagle Of The Death Metal, onde Homme toca bateria.

Claro que não posso, e nem devo classificá-lo apenas como “um disco de b-side” ou que lembre músicas de outras bandas paralelas dos integrantes. Existem músicas que devem ser ouvidas como Dead End Friends, Bandoliers e Gunman. Outro destaque é Caligulove, que traz um teclado muito The Doors.
Porém algumas músicas que empolgam no começo, mas de tão calmas ou de tão longas acabam ficando chatas e enjoativas para quem não está acostumado, como as gigantes Elephants e Warsaw or the First Breath You Take After You Give Up.

Porém, em si, o entrosamento entre os integrantes é algo bem impressionante, e não pode ser ignorado, parece que a banda tem anos de estrada, mas isso deve ser por que todos são veteranos. Ou seja, Them Crooked Vultures é um disco para os verdadeiros amantes de rock’n’roll ou para quem quer aprender a fazer.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

#41 -


Alguns meses atrás postei a noticia sobre o mais recente filme de Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios.
Como fã de Tarantino, o cinefilo que virou diretor cult de Hollywood, estava ansioso para assistir o filme. O trailer já havia me chamado atenção, achei a história muito interessante, e minha ansiedade aumentava, ainda mais que o filme ia ser lançado quase um mês depois no Brasil.

Por fim, assisti o filme hoje a tarde no cinema.
Durante Segunda Guerra Mundial, o longa inicia contando história de Shosanna Dreyfus (Melánie Laurent), judia que testemunhou a morte de seus pais pelo o Coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). Logo em seguida fui apresentado aos Bastardos, grupo de soldados americanos judeus liderado por Tenente Aldo Rayne (Brad Pitt), conhecidos por matar vários nazistas durante a guerra.
Shossana, três anos depois, vira dona de um cinema na França, onde o filme se concentrará com o desenrolar do enredo.

O filme tem o jeito Tarantino de ser, longos créditos iniciais, violência, diálogos inteligentes e reflexivos Porém, ao contrário do que muitos fãs estão acostumados, o longo acaba sendo longo demais, e parado. Achei muitas partes desnecessárias, poderiam ser mais diretas. Talvez o melhor exemplo disso, é o momento os Bastardos vão encontrar a atriz-espiã Bridget Van Hammersmack (Diane Kruger).

Porém, tirando os excessos de detalhes e partes avulsas, fazendo o diretor parecer J.R.R. Tolken, o filme tem uma história muito interessante. Como havia dito, o cinema de Shossana se torna o principal foco do filme, quando é escolhido para a pré-estreia de um filme nazista, que contará com a presença de ninguém menos que Adolph Hitler. E os planos de matar o líder nazista e acabar com a guerra é o principal atrativo do filme, junto a vingança garota judia. Coisas que só começam a se desenrolar na última meia hora de filme.

As atuações foi o que salvou o filme, no meu ponto de vista, de ser chato. Brad Pitt com seu sotaque texano e jeito bruto, que já havia me chamado atenção nos trailers, se tornam um grande atrativo, que poderia ter sido mais explorado, assim como o Sargento Psicopata Hugo Stiglitz interpretado por Til Schweiger, e o personagem de Eli Roth, Sargento Donny "Urso Judeu" Donowitz.

Enquanto Mélanie Laurent atua muito bem como a personagem principal, se mostrando a mais humana em meio aos personagens muitas vezes cruéis, como o Coronel Landa, ou o Caçador de Judeus, interpretado por Chistoph Waltz, que ganhou o prêmio de melhor ator no ultimo festival de Cannes. O antagonista rouba a cena, por seu jeito extremamente frio. Segundo o diretor, sem a atuação de Waltz, o filme não teria sentido, já que Tarantino considera um dos melhores personagens que ele já criou.

Falar que o filme é excelente, e é mais uma obra-prima de Tarantino, estaria mentindo, ainda prefiro a narrativa rápida de Pulp Fiction ou de Kill Bill. Tirando algumas partes que deixam o longa monótono, tem um excelente roteito e pode até prender o espectador. Recomendado para quem gosta de Tarantino, para quem gosta de filme de guerra, para quem não se importa com sangue para todos os cantos e humor negro.

Gostaria de saber se haverá outro curta como o Tarantino's Mind para ligar os outros filmes ao Bastardos Inglorios. Se conseguissem fazer isso, seria genial.

PS: Se eu fosse Tarantino, teria cuidado de hoje em diante. Quem viu o filme entenderá.